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Princípio do cooperativismo enfatizado
4º — Autonomia e independência
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Princípio do cooperativismo enfatizado
4º — Autonomia e independência
Estabelece que as cooperativas devem ser organizações autônomas e autoadministradas, controladas por seus membros. Mesmo ao firmar acordos com governos ou outras entidades, e ao captar capital externo, as cooperativas devem manter o controle democrático e a independência — garantindo que suas decisões e operações não sejam influenciadas externamente de maneira que comprometa seus valores e objetivos.
ICA, International Co-operative Alliance. Guidance notes to the co-operative principles. Brussels: Principles Committee, 2015.
Historicamente, falar de autonomia e independência fazia sentido diante de Estados autoritários — Estados que instrumentalizavam o cooperativismo para finalidades próprias. Essa dimensão permanece, mas hoje é preciso falar de autonomia também diante de outras empresas.
Uma cooperativa altamente dependente de um único comprador — situação que a economia chama de oligopsônio — pode estar comprometida com interesses que não são os dos cooperados. A dependência econômica de um agente externo produz efeito equivalente ao da tutela estatal: em ambos os casos, quem decide de fato não é a assembleia.
Os valores do cooperativismo não mudam. Os princípios precisam ser adequados a cada época — e os desdobramentos e interpretações que recebem ao longo do tempo são muitos.
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Valor do cooperativismo abordado
Equidade
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Valor do cooperativismo abordado
Equidade
A equidade vai além da igualdade ao reconhecer que diferentes membros podem ter diferentes necessidades. Adapta as estruturas e políticas da cooperativa para garantir que todos, independentemente de suas condições iniciais, possam beneficiar-se igualmente das oportunidades oferecidas. Isso inclui a adaptação de regras e a criação de estruturas que ajudem a equilibrar desigualdades internas.
A igualdade trata todos da mesma forma — é o que garante que cada cooperado tenha um voto, independentemente do capital que integralizou. A equidade reconhece que partir de condições diferentes exige tratamento diferenciado para chegar ao mesmo resultado. Ambos os valores convivem na cooperativa: igualdade na decisão, equidade na estrutura de acesso.
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Doutrina cooperativista
O ideal e a prática
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Doutrina cooperativista
O ideal e a prática
A doutrina cooperativa propõe uma orientação ética e política para a ação econômica e social, baseada em solidariedade, democracia, equidade e autonomia. Situa-se no plano do "dever ser", e não do que já se realiza plenamente: constitui um ideal que orienta práticas, mesmo diante das imperfeições concretas observadas nas cooperativas.
O cooperativismo, em sua realidade histórica, exibe desvios, lacunas e contradições em relação ao seu conteúdo normativo. Mas essas falhas não invalidam sua doutrina — ao contrário, reforçam a necessidade de retomá-la como paradigma de correção e aperfeiçoamento. Sem esse referencial valorativo, os esforços de melhoria tornam-se dispersos e conjunturais.
SCHNEIDER, José Odelso. Identidade cooperativa: sua história e doutrina. Porto Alegre: Sescoop/RS, 2019.
Os termos do cooperativismo são diferentes porque o modelo econômico cooperativista é diferente. O cooperativismo atua dentro do capitalismo, mas não se rege pelos princípios e valores do sistema capitalista. Daí a dificuldade de compreensão que expressões como "ato cooperativo", "sobras" ou "tripla qualidade do cooperado" costumam gerar em quem se aproxima do tema pela primeira vez.
Essa distinção tem consequências práticas relevantes. Quando uma cooperativa é tratada como se fosse uma sociedade empresarial comum, sua própria estrutura é comprometida — porque a cooperativa não distribui lucro a acionistas que podem sair antes do prejuízo. Os cooperados permanecem na cooperativa, e a cooperativa permanece inserida na vida social das cidades onde opera.
A adoção de assembleias e processos decisórios digitais ampliou o alcance da participação, mas revelou uma lacuna significativa de inclusão tecnológica: muitos cooperados não estão preparados para participar efetivamente de processos decisórios à distância. A falta de proximidade física pode comprometer o engajamento em aspectos fundamentais do cooperativismo, como a solidariedade e o apoio mútuo, que dependem de vínculo construído na convivência.
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Vocabulário da Cooperação
Estado, economia solidária e isolamento
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Vocabulário da Cooperação
Estado, economia solidária e isolamento
O Brasil é um Estado de Direito: funciona burocraticamente através do ordenamento jurídico, conjunto de regras, normas e funções escritas que sistematizam suas instituições e estabilizam as relações sociais. Sua estrutura maior é a Constituição, que forma a instituição Estado e, a partir dela, permite a existência das demais. A forma de governo é republicana — os bens do Estado são de todos e geridos para o bem de todos. O sistema de governo é o presidencialismo de coalizão, em que o presidente eleito realiza articulações políticas com o Poder Legislativo para governar.
Modo de produção e distribuição que se apresenta como alternativa ao modelo capitalista, focado na socialização dos meios de produção e na gestão democrática. Encoraja a posse coletiva dos meios de produção pelos próprios trabalhadores que os utilizam, assegurando gestão e resultados compartilhados equitativamente. Seus fundamentos incluem a autogestão, que desafia a hierarquia tradicional de supervisão e controle, e práticas como cooperativas de produção e consumo, redes de trocas e outras iniciativas colaborativas.
Oposto da interação social, representa uma condição de afastamento em que indivíduos ou grupos deixam de participar das dinâmicas coletivas. Formas intensas de isolamento têm efeitos negativos severos sobre o bem-estar físico, mental e cultural. Sociedades ou grupos isolados tendem à estagnação e à deterioração cultural — o contato entre grupos é essencial para o desenvolvimento humano e a troca de experiências.
SCHNEIDER, José Odelso. Identidade cooperativa: sua história e doutrina. Porto Alegre: Sescoop/RS, 2019.
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Ramo do cooperativismo
Saúde
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Ramo do cooperativismo
Saúde
O cooperativismo de saúde brasileiro é reconhecido como o maior do mundo. Surgiu na década de 1960, com profissionais de saúde que buscavam melhores condições de trabalho e assistência médica acessível. Reúne cooperativas médicas, odontológicas e de outras áreas relacionadas à saúde humana, atuando tanto na saúde suplementar quanto em parcerias com o setor público, levando serviços qualificados a todo o país.
Fonte: OCB, SOMOS COOP
O argumento de que um profissional seria mais valorizado fora da cooperativa, em uma empresa privada, aparece com frequência no debate público. Ele merece ser examinado com cuidado, porque confunde dois horizontes distintos. No curto prazo, é possível que uma remuneração individual maior seja oferecida por um contratante privado. A proposta do cooperativismo, porém, é outra: alcançar, pelo trabalho conjunto, melhor qualidade de vida e estabilidade ao longo do tempo — o que inclui poder de negociação coletiva, previsibilidade de demanda e participação nas decisões sobre as condições do próprio trabalho.
É uma escolha entre lógicas diferentes de valorização profissional, e não uma comparação simples entre dois valores de remuneração.
O ramo saúde ilustra bem os desafios do 4º princípio. Cooperativas médicas operam em um setor fortemente regulado, com forte presença de operadoras e planos, e mantêm relações complexas com o poder público e com o mercado de saúde suplementar. Preservar a autonomia decisória nesse ambiente exige que a estrutura de governança da cooperativa esteja efetivamente nas mãos dos cooperados, e não capturada por interesses de financiadores, contratantes ou gestores profissionalizados.
A organização deste caderno — o cruzamento descentralizado de princípios, valores, ramos do cooperativismo e sociologia da cooperação em cada encontro — segue metodologia própria do Prof. Dr. Ícaro Moreira Ursine. Reprodução, total ou parcial, requer citação da fonte e do autor.
Ferramentas de inteligência artificial generativa foram utilizadas como apoio na revisão textual e na adaptação deste conteúdo para diferentes formatos e plataformas.