Aula02-B2026

Caderno de aula
Cooperativismo
Aula 2
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História do cooperativismo

Modelos econômicos e marcos internacionais

Modelo capitalista

O capitalismo é um modelo econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na busca pelo lucro e na livre concorrência. As decisões econômicas são descentralizadas e orientadas pelas forças do mercado — oferta e demanda. O trabalho é mercantilizado, e a renda se distribui, predominantemente, segundo a capacidade de acumulação de capital.

Modelo socialista

O socialismo propõe a propriedade coletiva ou estatal dos meios de produção, com o objetivo de eliminar as desigualdades sociais por meio da distribuição planejada da riqueza. O Estado desempenha papel central na organização da economia e na gestão das atividades produtivas, buscando garantir acesso universal a bens e serviços essenciais. A lógica do lucro é substituída pelo princípio da necessidade social.

Modelo de economia solidária

A economia solidária é uma alternativa aos modelos tradicionais, pautada na autogestão, na cooperação e na valorização do ser humano acima do capital. Composta por empreendimentos coletivos como cooperativas, associações e grupos informais, propõe uma organização democrática da produção, distribuição e consumo, com foco no desenvolvimento local, inclusão social e sustentabilidade.

Aliança Cooperativa Internacional (ACI)

A Aliança Cooperativa Internacional — International Cooperative Alliance (ICA) — é a principal organização global que representa e serve às cooperativas. Foi fundada em 19 de agosto de 1895, em Londres, durante o 1º Congresso Cooperativo. Ao longo de sua história, sua sede passou por Londres, depois Genebra, e hoje está estabelecida em Bruxelas, na Bélgica. A organização atua com quatro escritórios regionais — África, Américas, Ásia-Pacífico e Europa — e tem como objetivo uniformizar e disseminar os princípios cooperativos, integrando e oferecendo suporte ao movimento cooperativista em todo o mundo, inclusive junto às Nações Unidas.

Fonte: ICA; SESCOOP, Fundamentos do Cooperativismo, Sistema OCB, 2017.

Identidade global: o Co-operative Marque

Em 2013, a ACI lançou uma nova logomarca global — o Co-operative Marque — para consolidar a identidade visual do cooperativismo em escala mundial, substituindo símbolos tradicionais como a bandeira do arco-íris. A marca é acompanhada pelo domínio digital exclusivo ".coop", que funciona como credencial de pertencimento ao movimento cooperativista, reforçando o reconhecimento das cooperativas na internet.

Fonte: ICA COOP

Origem do cooperativismo financeiro no Brasil

A primeira cooperativa de crédito do Brasil foi fundada em Linha Imperial, no Rio Grande do Sul, por Theodor Amstad, um missionário jesuíta de origem suíça. Batizada Caixa de Economia e Empréstimos Amstad, seguiu o modelo Raiffeisen, voltado ao apoio de comunidades rurais. Anos depois, surgiu em Lajeado (RS) a primeira cooperativa de crédito do tipo Luzzatti no país. O movimento cresceu gradualmente ao longo das décadas seguintes, até se consolidar como parte relevante do Sistema Financeiro Nacional.

PINHEIRO, Marcos Antonio Henriques. Cooperativas de crédito: história da evolução normativa no Brasil. Brasília/DF: BCB, 2008.

  • 1902Fundação da primeira cooperativa de crédito do Brasil, em Nova Petrópolis (RS) — ainda em atividade hoje.
  • 1946Fundação da primeira cooperativa financeira urbana do Brasil, em Porto Alegre (RS).
  • 1995O Conselho Monetário Nacional autoriza a criação de bancos cooperativos.
  • 2009Lei Complementar 130 cria o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, principal marco legal do setor.
  • 2013Criação do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop).
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Princípio do cooperativismo enfatizado

1º — Adesão voluntária e livre

O princípio

Este princípio estabelece que as cooperativas são organizações voluntárias, acessíveis a todos, sem discriminação de gênero, social, racial, política ou religiosa. Devem permitir a adesão de qualquer pessoa que possa utilizar seus serviços e aceitar as responsabilidades dos membros. Fundamenta-se na liberdade individual para a adesão e a participação, promovendo a inclusão e a equidade entre todos os membros potenciais.

ICA, International Co-operative Alliance. Guidance notes to the co-operative principles. Brussels: Principles Committee, 2015.

Livre, mas planejada

Ser "aberta e voluntária" não significa que a adesão aconteça sem esforço da cooperativa. Ela precisa ser planejada antes da necessidade aparecer: uma pessoa com deficiência motora ou intelectual, uma pessoa idosa ou alguém que precise de intérprete de Libras deve conseguir acessar a cooperativa, seus dados e seus gestores como qualquer outro associado. A acessibilidade não é uma exceção a ser resolvida depois que o cooperado ingressa — é parte do próprio princípio.

Quando alguém ingressa em uma cooperativa, está aceitando os termos do estatuto — e a autonomia da vontade se manifesta tanto na entrada quanto na permanência e na saída.

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Valor do cooperativismo abordado

Igualdade

O valor

Este valor trata do reconhecimento e respeito às diferenças entre os membros, assegurando oportunidades iguais para todos dentro da cooperativa. As regras e políticas são desenhadas para beneficiar todos os membros, sem favorecimento ou discriminação, promovendo um ambiente onde todos têm as mesmas chances de sucesso e contribuição.

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Vocabulário da Cooperação

Indivíduo e redes sociais

Indivíduo

O conceito de indivíduo na sociologia engloba a interação complexa entre o eu e a sociedade, sendo moldado e influenciado por uma variedade de contextos sociais — família, trabalho, religião, educação. A compreensão do próprio indivíduo emerge das relações sociais, onde comparações e interações ajudam a definir identidades e valores. A autoridade exercida pelos indivíduos está intrinsecamente ligada às estruturas sociais e aos sistemas de poder, sendo moldada mais pela posição ocupada na sociedade do que pelas características pessoais.

Redes sociais

Redes sociais são estruturas formadas por indivíduos que se conectam por meio de relações, tanto presenciais quanto virtuais. Desempenham papel central na vida contemporânea, facilitando desde a busca por oportunidades até a manutenção de vínculos entre pessoas distantes. É por meio dessas redes — de vizinhança, de trabalho, de confiança mútua — que o cooperativismo historicamente se organiza: uma cooperativa nasce, quase sempre, de uma rede de pessoas que já se conheciam antes de formalizar a adesão.

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Ramo do cooperativismo

Crédito

O ramo crédito

As cooperativas de crédito oferecem serviços financeiros similares aos bancos, porém com gestão democrática e sem finalidade lucrativa, buscando inclusão financeira e educação econômica. Surgiram no Brasil inspiradas no modelo alemão, e hoje são reguladas pelo Banco Central, desempenhando papel fundamental no desenvolvimento econômico regional.

Fonte: OCB, SOMOS COOP

Cooperado

Cooperado é o membro de uma cooperativa, associação baseada em princípios de mutualidade e ajuda mútua — não focada primariamente em lucro, mas no serviço aos seus membros e na promoção de benefícios coletivos. Os resultados são distribuídos de acordo com a participação de cada cooperado nas atividades da cooperativa, e não com base no capital investido. A gestão segue o princípio de "um membro, um voto", independentemente do valor da cota de capital de cada um.

Patrono do cooperativismo brasileiro

Theodor Amstad, missionário jesuíta de origem suíça e fundador da primeira cooperativa de crédito do Brasil, foi declarado por lei o Patrono do Cooperativismo Brasileiro. Seu trabalho pioneiro estabeleceu as bases para o desenvolvimento do cooperativismo de crédito no país, inspirando a criação de inúmeras outras cooperativas.

Um braço do Estado — e depois um setor à parte

Em diferentes momentos da história brasileira, o cooperativismo de crédito — e o cooperativismo rural em geral — foi utilizado como uma espécie de braço estatal para políticas públicas: o governo incentivava a formação de cooperativas para levar crédito a agricultores e pequenos produtores onde o Estado não conseguia chegar diretamente, em troca de benefícios como isenções tributárias e doações de terreno. Com o tempo, o setor passou por fases de maior autonomia e fases de maior controle estatal — um padrão que se repete, com variações, em praticamente todos os ramos do cooperativismo brasileiro.

Sistemas de crédito cooperativo: Sicoob, Sicredi, Unicred, Cresol, Ailos

No Brasil, cooperativas de crédito singulares se organizam em sistemas — centrais e confederações que reúnem cooperativas de uma mesma linha ou público. Essa é uma das formas mais importantes de intercooperação do ramo: permite ganhos de escala que uma cooperativa isolada não alcançaria sozinha. Entre os principais sistemas estão o Sicoob e o Sicredi, ambos de livre admissão e com ampla presença nacional; a Unicred, voltada a profissionais liberais e da saúde; a Cresol, voltada à agricultura familiar; e a Ailos, com forte presença na região Sul.

Esses sistemas funcionam como uma camada estrutural de intercooperação: a central negocia tecnologia, produtos financeiros, comunicação institucional e representação política em nome de todas as cooperativas singulares filiadas, e opera um banco cooperativo próprio — como o Bancoob (Sicoob) ou o Bansicredi (Sicredi) — para acessar o mercado financeiro em condições que uma cooperativa isolada não teria. O resultado é o fortalecimento da base financeira de cada singular, a redução de custos operacionais compartilhados e a capacidade de competir com bancos tradicionais, sem que a cooperativa de base perca sua autonomia de gestão local.

Cooperativas do mesmo ramo concorrem entre si com frequência — inclusive por associados. A pergunta que fica é: essa disputa fortalece o sistema cooperativo como um todo, ou o fragmenta?

Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop)

O FGCoop é uma associação civil sem fins lucrativos que atua para preservar a estabilidade e a imagem do cooperativismo de crédito, monitorando riscos das cooperativas associadas e oferecendo uma camada adicional de segurança aos cooperados. É obrigatório para todas as cooperativas de crédito que captam depósitos, e reforça a confiança dos brasileiros nas cooperativas como alternativa segura e eficiente aos bancos tradicionais.

PINHEIRO, Marcos Antonio Henriques. Cooperativas de crédito: história da evolução normativa no Brasil. Brasília/DF: BCB, 2008.

+ Informações

A organização deste caderno — o cruzamento descentralizado de princípios, valores, ramos do cooperativismo e sociologia da cooperação em cada encontro — segue metodologia própria do Prof. Dr. Ícaro Moreira Ursine. Reprodução, total ou parcial, requer citação da fonte e do autor.

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